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Espaço de MakatukaPRO PACE ET FRATERNITATE GENTIUM
February 09 MUTATIS MUTANDISSORVENDO DA SABEDORIA DOS ANCESTRAIS (INSTITUIÇÕES)… - Quae praeter consuetudinem et morem majorum fiunt, neque placent, necque recta videntur.
Tendo colocado os dizeres acima na minha página do Hi5, na parte relativa ao que está a fazer o dono do espaço cipernético, a minha amiga Conceição Sampaio, de Portugal, perguntava: “De quê se trata? Rituais?”. Considerado a possibilidade teórica da resposta ter algum interesse que extravasa o diálogo entre dois amigos, optei por partilhar com o Companheiros as ideias decorrentes dessa questão. Assim...
Resposta: Não diria que se trate de algum ritual, mas de um processo que julgo ser a todos recomendado, num mundo em que as mudanças são cada vez mais aceleradas. Tenho um entendimento flexível do conceito de ancestrais e do modo como podemos sorver da sabedoria destes.
Em muitos grupos étnicos de África acredita-se que os ancestrais têm uma potencial capacidade espiritual de nos ajudar. Parece-me haver uma certa correspondência entre estas crenças e dogmas universalizados de que Deus (que no fundo é o maior e inicial ancestral nosso) pode ajudar-nos a direccionar as nossas vidas para os caminhos mais acertados.
Como se vê na expressão colocada entre parêntesis, para mim, os nossos ancestrais são verdadeiras instituições dotadas de grande perenidade. Isso pode ter um significado mais intenso nas sociedades africanas, onde a tradição oral continua a ser um importante meio de transmissão de conhecimento, mas parece-me igualmente ajustado ao entendimento de que se enquadram na categoria de ancestrais os vários pensadores que escreveram ou disseram coisas constituem subsídios para as nossas vidas e sobre as melhores estratégias de ser e estar no mundo, independentemente destes o terem feito de modo escrito ou por via da tradição transmitida de geração a geração.
Na verdade, tenho estado a actualizar conhecimentos sobre o aprofundamento do próprio conhecimento e sobre como fazer um aproveitamento optimizado das diferentes capacidades e habilidades que a natureza ou a sociedade me tenham concedido. E esta actividade que pode ser muito facilitada pela (re)análise do que os ancestrais (incluindo nesta categoria as instituições não antropomórficas) nos legaram.
António Kassoma “Nguvulu Makatuka”
Luanda, aos 7 de Fevereiro de 2009 4 de AbrilRESENHA HISTÓRICA SOBRE A PAZ EM ANGOLA
Luísa Rogério*
A 4 de Abril de 2002 registou-se o acontecimento que encerrou o período mais negro da História recente de Angola. Para trás ficavam cerca de quarenta anos de uma guerra que deixou quatro milhões de deslocados, cem mil mutilados e cinquenta mil crianças órfãs. Somam-se às pesadas cifras vários milhares de mortos e um país literalmente destroçado. O virar da página foi selado pela assinatura, entre o Governo angolano e a UNITA, do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka. Numa cerimónia que inseriu o 4 de Abril no calendário das grandes comemorações nacionais como o Dia da Paz, os generais Armando da Cruz Neto e Abreu Muengo "Kamorteiro" assinaram o Memorando na presença de representantes da comunidade internacional e, sob o olhar esperançado de milhões de angolanos. Para tal desenlace foi determinante a vontade política das partes signatárias, que autorizam às chefias dos dois exércitos a conversar sem mediação estrangeira, ao longo de quinze dias. Lwena, a capital do Moxico, albergou as negociações entre militares das FAA e FALA que assinaram, a 30 de Março, o memorando complementar para a cessação das hostilidades e resolução das questões pendentes nos termos do Protocolo de Lusaka. O cessar fogo, que já era um facto, foi formalizado a 4 de Abril. As conversações haviam iniciado no período subsequente a morte em combate de Jonas Savimbi, assinalada a 22 de Fevereiro. A assinatura do Memorando pôs também termo a 27 anos de acordos mal sucedidos entre o MPLA e a UNITA. O primeiro pacto tem 31 anos. Aconteceu no Algarve, a 15 de Janeiro de 1975 quando, vencidas várias tentativas frustradas, os líderes dos três movimentos de libertação - MPLA, FNLA e UNITA - foram reconhecidos por Portugal como os únicos e legítimos representantes do povo angolano. Na presença de Vasco Martins e Costa Gomes, respectivamente primeiro ministro e Presidente de Portugal, Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi assinaram, pelos seus partidos, os chamados Acordos de Alvor. O consenso para o documento, de 60 artigos, foi obtido depois de seis dias de discussão. Nele se estabeleciam os mecanismos de partilha do poder até a proclamação da independência de Angola, marcada para 11 de Novembro de 1975. O processo deveria passar pela eleição de uma assembleia constituinte, após a retirada das tropas portuguesas de Angola. Alvor foi antecedido de inúmeros encontros secretos, iniciados três meses antes, tendo o texto final resultado de uma pré-cimeira realizada em Mombaça, no Quénia. Os três movimentos esboçaram então as formas de divisão de poderes e a estrutura do Governo de Transição, assim como a integridade do território e a data da independência. No entanto, nada disso aconteceu. Os políticos desentenderam-se e, no calor da guerra, Agostinho Neto proclamou, na data prevista, a independência de Angola. O conflito agudizou-se, aponto de ser considerado um dos mais violentos do mundo. A UNITA, a qual se atribuía um protagonismo menor na arena militar, armou-se, fez alianças e partiu para a guerra. Ainda assim, a via negocial foi-se impondo novamente como a única solução para o calar dos fuzis. E aconteceu Gbadolite. Numa quinta-feira, 22 de Junho de 1989, a terra natal do deposto presidente do Zaíre, Mobutu Sesse Seko, acolheu 19 Chefes de Estado africanos, o rei Hassan II do Marrocos e o vice-presidente da Tanzânia, para testemunhar mais uma tentativa de paz para Angola. Teria sido essa a primeira vez que José Eduardo dos Santos e Jonas Malheiro Savimbi se encontraram na condição de Presidente da República e líder do movimento rebelde, respectivamente. A declaração final aludia a "evolução positiva dos acontecimentos", fruto do qual se determinou a vontade de "todas as filhas e filhos de Angola porem fim a guerra e proclamar perante o mundo a reconciliação nacional". Contudo, o derrube, poucos dias passados, das torres condutoras de energia eléctrica deixou Luanda às escuras, prática que consubstanciava um dos métodos de pressão celebrizados pela UNITA. Embora a responsabilidade tivesse sido imputada a uma vaca perdida, a trégua rubricada em Gbadolite não passou de um documento sem qualquer efeito prático, além da referência histórica. Tudo continuou na mesma até 31 de Maio de 1991, altura em que o Governo e a UNITA, já sob mediação portuguesa, produziram os Acordos de Bicesse. Depois de largos meses de contactos directos entre delegações de alto nível por si mandatadas, o Presidente da República e o líder da UNITA assinaram um acordo pela segunda vez. Ao abrigo de Bicesse, criou-se a célebre Comissão Conjunta Político Militar (CCPM) e foram marcadas para Setembro de 1992 as primeiras eleições multipartidárias em Angola. Altos dirigentes da UNITA escalaram, a partir de Junho de 1991, Luanda e outras cidades controladas pelo Governo. Em Setembro do mesmo ano, Jonas Savimbi desembarca na capital. Às Nações Unidas foram encarregues de conduzir e supervisionar o processo. A britânica Margareth Anstee foi nomeada representante do Secretário Geral da ONU, tendo as eleições sido realizadas numa altura em que faltava completar a desmobilização militar e a formação do exército único se encontrava na fase embrionária. Foi nesse contexto que a UNITA perdeu as eleições, consideradas genericamente justas e regulares pelas Nações Unidas e troika de observadores, constituída por Portugal, Rússia e Estados Unidos da América. O partido de Jonas Savimbi, que se mudara de Luanda para o Huambo na sequência da crise pós eleitoral, rejeitou as eleições. Fracassadas todas as tentativas de aproximação, o país voltou a ser sacudido pela guerra. Entretanto, Boutros Boutros Gali nomeou a 28 de Junho de 1993, o diplomata maliano Alioune Blondin Beye para seu representante especial em Angola, em substituição de Margareth Anstee. O cargo chegou a ser cogitado para o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, rejeitado pela UNITA. O maliano desdobrou-se em contactos, dando início, em Outubro de 1993, às conversações que inseriram a capital de Lusaka na rota da paz em Angola. Nessa fase, morriam cerca de mil angolanos por dia. Verdadeira maratona, as conversações tinham como regra o "black out" imposto por maître Beye. Deixando para trás cerca de um ano de recuos, avanços, paragens, crises traumáticas e esperas angustiantes, o Protocolo de Lusaka foi finalmente assinado, a 20 de Novembro de 1994, depois de as duas delegações terem alcançado o entendimento formal nas últimas horas do dia 31 de Outubro. Venâncio de Moura e Eugénio Manuvakola rubricaram o documento. Cento e cinco páginas deram substância ao Protocolo de Lusaka, que estabeleceu os princípios gerais e específicos e as modalidades de aplicação do Acordo. Fixou o prazo de dois anos para a execução das tarefas respeitantes aos dossiers reconciliação nacional, militar e os pendentes. O primeiro que incluía a inserção dos membros da UNITA na gestão dos assuntos do Estado e o estatuto especial para Jonas Savimbi foi o mais difícil de negociar. Não obstante os atrasos, em finais de Dezembro de 1996, deu-se um passo de gigante na implementação do Protocolo. Nove generais da UNITA foram incorporados nas Forças Armadas Angolanas, passando o exército unificado a ser praticamente apartidário. Arlindo Chenda Pena "Ben-Ben", Chefe do Estado Maior das FALA, e Demóstenes Amós Chilingutila, seu antecessor no posto, encontravam-se entre os promovidos ao grau militar de general. Ben-Ben ocupou até a sua morte o cargo de vice-chefe do Estado Maior das FAA, ao passo que o segundo foi empossado vice-ministro da Defesa, com os demais quadros do seu partido que, a 11 de Abril de 1997, ocuparam os seus lugares no GURN. Com a tomada de posse dos deputados da UNITA na Assembleia Nacional e o preenchimento do Governo de Unidade e Reconciliação Nacional, estava aparentemente concluída a execução do Protocolo de Lusaka. Apenas aparentemente. O processo encalhou na fase da reposição da administração do Estado e no desentendimento relativo às áreas diamantíferas das Lundas. Mais negociações, incumprimentos e novas iniciativas de maître Beye indicaram a crise latente. A morte trágica de Alioune Blondin Beye, a 26 de Junho de 1998, quando tentava desesperadamente salvar o processo dos "inimigos da paz", anunciou o retorno à guerra. Quatro anos depois da assinatura do Protocolo de Lusaka, Angola voltou a mergulhar num banho de sangue. Foram precisos mais quatro anos para se alcançar a paz definitiva. E, quatro anos volvidos, há ainda feridas por cicatrizar e uma nação em construção. Mas a certeza de que a “guerra ficou para trás” como canta Rui Mingas faz com que, apesar das diferenças e contradições inerentes a convivência democrática, os angolanos suspirem de alívio. Afinal, guerra, nunca mais!
(*) Repórter sénior de política, Presidente do Sindicato dos Jornalistas Angolanos A mulher e a estrutura do poder em ÁfricaUM OLHAR SOBRE O GÉNERO
Luísa Rogério
Ela polarizou as atenções durante o acto de reinvestidura de Omar Bongo para o cargo de Presidente do Gabão. Nessa cerimónia, realizada em princípios de 2006, na presença de muitos chefes de estado e de governos africanos, e de representantes de vários países do mundo, Ellen Sirleaf-Johnson roubou a cena, como soe dizer-se. Ao entrar na sala onde se realizaria a solenidade, foi vigorosamente aplaudida de pé pela ilustre plateia. Os focos das câmaras e gravadores dos jornalistas concentraram-se na sua figura, aparentemente comum. Porque razão uma senhora africana de 66 anos, mãe de quatro filhos e com seis netos constituiria sensação num acontecimento eminentemente político? A pergunta não encerra qualquer enigma. Mas a resposta congrega vários indicadores de que a estrutura do poder político está a mudar em África. A economista Ellen Sirleaf-Johnson, sujeito activo da história, acabara de ser empossada Presidente da Libéria, tornando-se assim a primeira mulher a assumir o cargo em África. Ao ser eleita, a “dama de ferro” do negro continente inscreveu o seu nome na restrita lista de 13 mulheres que exercem a função de Presidente ou chefe de Governo em todo mundo. E hoje, o poder no feminino abrange já todos os continentes.
Incumbida de administrar um país devastado por uma guerra civil de 14 anos, a Presidente da Libéria adoptou como prioridade a luta contra a corrupção. Um dos primeiros sinais de que o “rótulo” de “dama de ferro” tinha razão de ser, foi a corajosa decisão de demitir todos os funcionários do Ministério das Finanças, impondo aos que quisessem regressar a realização de testes de aptidão. A “ousadia” de ordenar auditorias a todos os ministérios no intuito de esclarecer sinais de corrupção envolvendo ex-ministros e altos funcionários suspeitos de desvios de bens públicos insere-se entre as medidas imediatas tomadas por Ellen Sirleaf-Johnson.
Ao que tudo indica, apostar na competência e qualificação técnica afigura-se como uma das armas escolhidas por esta mulher para vencer o desafio de recuperar o país fragmentado em todos os sectores. De resto, não lhe faltam capacidades e experiência administrativa. O impressionante curriculum da economista formada em Harvard, antiga ministra das Finanças no governo do presidente William Tolbert Júnior nos anos setenta, inclui os cargos de funcionária sénior do Banco Mundial, directora do Bureau regional da Agencia de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) para Africa, depois de ter sido durante seis anos (1986-1992) vice-presidente do Comité Executivo do Equator Bank, em Washington.
Sentenciada a dez anos de prisão durante o regime de Samuel Doe que, em Abril de 1980, liderou um golpe de estado contra William Tolbert, Ellen Johnson-Sirleaf ficou encarcerada por um curto período, regressando posteriormente ao exílio. Entretanto, em Setembro de 1990, Samuel Doe foi deposto e assassinado por Charles Taylor, ficando assim criadas as condições políticas para o retorno da “dama de ferro” ao seu país, o que acontece em 1997. Nesse ano defronta o novo homem forte para quem perde as eleições presidenciais, declaradas livres e justas pela observação internacional.
Dois anos volvidos, a Libéria voltou as páginas da imprensa mundial, ao reinstalar-se a guerra civil. O resto é o que a história regista: um dos conflitos mais violentos do mundo que só começou a conhecer o seu termo em Agosto de 2003, quando Charles Taylor exilou-se na Nigéria, entregando o poder ao seu vice-presidente, Moses Blah. O governo interino e os grupos rebeldes assinaram um acordo de cessar-fogo que possibilitou realização do pleito eleitoral de 2005.
Ellen Johnson-Sirleaf disputou a presidência com o ex- futebolista George Manneh Weah, notabilizado por uma brilhantes carreira internacional em clubes como o francês Paris Saint Germain e o AC Milan da Itália. No primeiro turno, Weah que foi considerado pela FIFA o melhor jogador do mundo em 1995, obteve uma notória vantagem, mas fruto de uma estratégia assente na defesa clara e objectiva do seu programa de governação, Johnson Sirleaf convenceu o eleitorado, tendo sido declarada vencedora a 23 Novembro de 2005.
Nascida em Monróvia, a 29 de Outubro 1938, esta descendente de ex-escravos americanos, os chamados americano-liberianos, foi investida no cargo de presidente da Libéria a 16 Janeiro de 2006 para um mandato de cinco anos. Licenciada em economia pela Universidade de Colorado, nos Estados Unidos da América, obteve o grau de mestre pela prestigiada Universidade de Harvard.
A participação de inúmeros chefes de estado africanos e representantes de governos de todo mundo atestou a importância da cerimónia da sua investidura. De igual modo, a presença de Condoleezza Rice, secretária de estado norte-americana e de Laura Bush, Primeira-dama dos Estados Unidos da América, deu um indicativo da atenção estratégica que a maior potência mundial dedica a esta nação africana.
Os traços da biografia e trajectória política da Presidente da Libéria contradizem uma realidade que, em diversas partes do mundo, subalterniza a mulher e restringe a sua participação em diferentes sectores da vida social. Em África, factores sócio-culturais, agravados por um contexto dominado pelo sub-desenvolvimento, falta de políticas funcionais e alegados pressupostos históricos tornam o espaço público uma “reserva” quase exclusivamente masculina, reforçando a tese que remete o lar, a família e os filhos para tarefas essencialmente femininas.
As estatísticas mostram que um número superior a sessenta milhões de mulheres já morreu em consequência de razões relacionadas à discriminação do género. A mutilação genital feminina vitimou cerca de 85 milhões de mulheres e meninas, a maioria delas no nosso continente e na Ásia. Durante o conflito do Ruanda, que em 1994 provocou o genocídio de um milhão de pessoas, mais de 15 mil mulheres foram violentadas sexualmente em apenas um ano. São algumas cifras expressivas que remetem a África para a cauda do desenvolvimento humano e, mostram, sobretudo, que esse estatuto nada lisonjeiro tem uma face marcadamente feminina.
Ser mulher e escapar às estatísticas neste continente de profundos desequilíbrios sociais entre os sexos, é muito mais expressivo do que ser sobrevivente. É quase heróico. Superar barreiras e ser aplaudida de pé por feitos como o de Ellen Johnson-Sirleaf é absolutamente extraordinário. Significa vencer duplamente!
No entanto, apesar da dureza dos números, eles próprios mostram que a situação tende a mudar. Há mais duas mulheres em África no poder e em condições de atingir a mais alta magistratura dos seus países. Trata-se da vice-presidente sul-africana, Phumzile Mlambo-Ngcuka, e da primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo. A primeira ascendeu ao posto em 2005, após Jacob Zuma ter sido afastado por alegado envolvimento num caso de corrupção.
Embora o sucessor de Thabo Mbeki, que cumpre o último mandato, não esteja determinado, a governante sul-africana negou várias vezes o interesse em ser primeira mulher a ocupar a chefia de Estado na pátria de Mandela. Voltar a ensinar é uma das aspirações da antiga professora, casada com Bulelani Ngcuka, Procurador-geral da República na altura em que Zuma foi implicado no escândalo de corrupção pelo qual foi julgado. No entanto, nada ainda está definido, até porque a influente Liga Feminina do ANC, partido no poder, poderá ter um papel decisivo na escolha do candidato a sucessão de Mbeki.
Poderosa e competente! É assim que os moçambicanos se referem a Primeira-ministra Luísa Dias Diogo, que foi no quinquénio 1999-2004 Ministra do Plano e Finanças. De 48 anos, licenciou-se em Economia pela Universidade Eduardo Mondlane. Em 1992 concluiu, à distância, o Curso de Mestrado em Economia Financeira pela Universidade de Londres, segundo consta na sua biografia oficial. Oficial de Programas no Banco Mundial em Moçambique, antes de ser indicada para o Executivo em 1994, participou em várias negociações com Organismos Internacionais.
Luísa Dias Diogo, 3 filhos, é casada com António Albano Silva, um bem sucedido advogado moçambicano. Conhecedora profunda de “todos os dossiers” como se diz no seu país, principalmente os ligados à política financeira do Governo, tem sido apontada em vários círculos como potencial candidata à sucessão de Armando Guebuza, ainda no primeiro mandato. Outro nome feminino presidenciável em Moçambique é o Graça Machel, esposa de Nelson Mandela.
Várias vezes questionada a respeito, a viúva de Samora Machel descartou outras tantas a hipótese de concorrer à presidência da República no seu país. Moçambique ocupa, aliás, um dos lugares cimeiros em África e o primeiro entre os lusófonos, em termos de inserção da mulher em cargos de decisão. Situa-se entre os quinze países no mundo com representação feminina igual ou superior a 30%. O presidente moçambicano, Armando Guebuza, considera uma realidade “a partilha de lugares cimeiros de tomada de decisão entre mulheres e homens”. Na Conferência sobre a Mulher e o Desenvolvimento em África, realizada no ano passado em Moçambique, Guebuza manifestou satisfação com “a tendência de equilíbrio do género” no seu país, confirmando que 35,6 por cento dos 250 deputados da Assembleia da República são do sexo feminino, uma das quais ocupa a vice-presidência daquele órgão. Das oito comissões parlamentares especializadas, duas são presididas por mulheres, igualmente detentoras de23,3 por cento dos cargos ministeriais e 23,07 por cento de vice-ministros.
Duas das onze províncias moçambicanas são governadas por mulheres neste país que constitui destaque mundial pela positiva. “Nas diversas esferas da vida nacional encontramos a mulher, na comunidade de negócios, nas organizações da sociedade civil, nas repartições públicas centrais e locais; instituições de ensino geral, técnico-profissional e superior e nos círculos de intelectualidade, cultura e investigação científica”, sublinhou o presidente moçambicano na citada conferência. Em termos globais, a África Austral ocupa o segundo lugar no mundo no que tange a participação da mulher nos órgãos de poder. Perde apenas para os países nórdicos, onde as mulheres constituem 39,7% dos membros dos parlamentos. A região está também na dianteira da média global de mulheres das Assembleias locais, estimada em 15,5%. O avanço registado na região austral deve-se, em parte, à assinatura pelos seus mais altos dignitários da “Declaração sobre o Género e o Desenvolvimento” que compromete todos os Chefes de Estado a “garantir uma representação equitativa de mulheres e de homens na tomada de decisões dos estados membros nas estruturas a todos os níveis da SADC, bem como o alcance de pelo menos uma meta de trinta por cento de mulheres nas estruturas políticas e de tomada de decisões no ano 2005”.
A média de representação das mulheres nos Executivos da região em referência também aumentou significativamente nos últimos anos. Nessa classe, a África do Sul, cujo parlamento é presidido por uma mulher, assume a liderança. Mais de 30% dos membros do governo são mulheres, sendo maior o número de vice-ministras do que de vice-ministros. Ainda assim, representantes de organizações não governamentais reunidos em Agosto de 2005 em Gaborone (Botswana) à margem da cimeira da SADC reivindicaram uma quota de cinquenta por cento até 2010.
Apesar de não estar directamente associada à estrutura do poder no seu país, é ainda da região Austral do continente, onde chega o mais recente caso de ascensão feminina. Asha-Rose Migiro, de 50 anos, foi nomeada Vice-Secretária-Geral da ONU, sendo a terceira mulher em idênticas funções desde que o cargo foi criado, em 1997. Asha-Rose Migiro, da Tanzânia, assumiu o novo posto a 1 de Fevereiro último. Ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação Internacional de 2006 a 2007, foi a primeira mulher a ocupar o cargo desde a independência da República Unida da Tanzânia, em 1961. Nesse posto, ilustrou o compromisso do seu país a favor da paz, da segurança e do desenvolvimento da região dos Grandes Lagos, além de ter presidido à reunião do Conselho de Ministros da Conferência Internacional dos Grandes Lagos, processo de que resultou a assinatura de um Pacto de Segurança, Estabilidade e Desenvolvimento, conforme realça a nota oficial distribuída pelas Nações Unidas.
A diplomata tanzaniana presidiu a Comissão Ministerial do órgão responsável pela cooperação em matéria política, de defesa e de segurança da SADC e o Conselho de Segurança da ONU, durante o debate público sobre paz, segurança e desenvolvimento na região dos Grandes Lagos. Nessa qualidade, coordenou a assistência a processos democráticos, designadamente as eleições na República Democrática do Congo, Zâmbia e Madagáscar.
Com uma carreira académica notável, a Vice-Secretária-Geral da ONU dirigiu os Departamentos de Direito Constitucional e de Direito Administrativo, antes de chefiar os Departamentos de Direito Civil e Direito Penal, (entre 1994 e 1997), da respectiva Faculdade da Universidade de Dar es-Salaam. Casada e mãe de duas filhas, Asha-Rose Migiro integrou a Comissão Nacional da Reforma Jurídica na Tanzânia e o Comité das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres. Mestre em Direito pela Universidade de Dar es-Salaam, fez o doutoramento, em 1992, na Universidade de Constança, Alemanha.
O continente está ainda longe de cumprir os Objectivos do Milénio traçados pela ONU, tendo em vista a promoção da igualdade de direitos entre os sexos e autonomização da mulher. Esse propósito consubstanciado no Artigo 2º da Declaração Universal dos direitos Humanos é subscrito pela maioria dos países africanos e adoptado pela União Africana. Contudo, por toda África multiplicam-se exemplos de mulheres dignas de fazer manchetes noticiosas, a despeito de somente um número reduzido chegar ao conhecimento público.
Wangari Maathai, bióloga queniana, defensora dos direitos humanos e de causas ambientais, tornou-se um dos rostos mais mediatizados de África. Conhecidíssima no seu país, a interventiva activista viu o seu trabalho mundialmente reconhecido ao lhe ser atribuído o Prémio Nobel da Paz em 2004, sendo a primeira africana a receber tal galardão. Wangari Maathai, a par da escritora sul-africana Nadine Gordimer, Nobel de Literatura, são as únicas mulheres do continente cujo nome figura na galeria das personalidades galardoadas com aquele que sobressai dentre os mais aclamados prémios internacionais.
Não foram poucas as Rainhas que exerceram o poder por direito adquirido e não em decorrência do facto de serem companheiras do rei, ou a mãe do rei, como acontece na Swazilândia. A acção de Nzinga Mbandi como líder política e militar, além de hábil diplomata sobreviveu ao seu tempo. O ouro que abençoou o reino Ashanti, no Ghana, não constitui o único motivo da fama daquele povo da costa ocidental de África. A rainha Asantewaa, heroína de guerras contra a ocupação europeia, associou a sua saga a epopeias mandingas, zulus e de outros povos que fazem o orgulho de África.
Nada mais justo do que as sociedades modernas resgatarem exemplos do passado e promoverem políticas no sentido de materializar um princípio humano sacramentado também pela Constituição angolana: Homens e mulheres nascem iguais, em termos de direitos. September 29 SABEDORIA SEDIMENTADA PELO TEMPOPara pensar... e eventualmente ter em conta Enunciado:"Se estiveres a construir uma casa e um prego partir, deixas de construir, ou mudas o prego?" - Máxima da filosofia africana Nótula interpretativa: Na verdade trata-se apenas de um provérbio. Faço referência à filosofia africana pelo facto de ter sido deste terreno que brotou tão rico provérbio. Tem-me chamado a atenção o facto de muitas vezes detectar surpreendentes semelhanças entre as tão utilizadas "latinadas" decorrentes do direito romano (a expressão não é inteiramente correcta, uma vez que também pode ser entendida como latim mal falado), e as frases dos nossos antepassados. Parece evidente que os anciãos Ovimbundu, por exemplo, nunca estudaram o direito romano, até porque muitos deles não praticam a expressão da intelectualidade de modo escrito. Deste modo, as semelhanças entre os ditos destes dois seguimentos da comunidade universal, como muitas outras coincidências, são mostra de que os seres humanos são fundamentalmente idênticos. Os factores de união são imensamente maiores que os "dissídios" genéticos, históricos ou geográficos... Aquele abraço. António Kassoma “Nguvulu Makatuka” June 21 NEW ORLEANS REENCONTRA COSTELA AFRICANA EM LUANDANicholas Payton quartet Angolano Jean Francó empresta espírito Bakongo ao jazz da banda americana Vinte horas e trinta minutos. Com uma pontualidade perfeccionista – estado para que tende a música – começava na sala Luanda do Hotel trópico o espectáculo do Nicholas Payton quartet, um grupo de Jazz vindo directamente de New Orleans, localidade dos Estados Unidos da América em que esse estilo de música brotou, da dor e sofrimento da população negra. O Jazz é por muitos encarado como sendo um dos mais visíveis símbolos do estilo americano de vida, tal como as calças Jeans e os refrigerantes coca-cola. Com Nicholas Payton no trompete, Aaron Golberg no piano, Reginald Veal no contrabaixo e Adonis Rose na bateria, a actuação do quarteto, baptizado com o nome do seu líder, foi aguardada com muita expectativa em Luanda. Pelo historial musical dos integrantes, era de antever que haveria Jazz no calor da noite novembrina, tal como os promotores prometeram publicamente, ao denominar o seu programa “Jazz quente na noite”. O que os apreciadores não contavam era com a aparição de Jean Francó, percurssionista angolano, que fazendo aquilo a que denominou “Jazz Made in Angola” deu ao espectáculo um toque diferente. O seu batuque ecoava pela sala como se quisesse apagar o tempo e a distância que separou os negros norte americanos de África, terra em que se a redita manter-se conservado o mesmo espírito musical que, há séculos, os escravos transportaram para as américas. Coube a Jean Francó a abertura do espectáculo, que foi apresentado por Jerónimo Belo e Laurinda Santos. Preparando o apetite melódico dos presentes para o que a noite ainda tinha para oferecer, o percurssionista angolano extraiu dos seus instrumentos uma infinidade de sons, acompanhados por palavras ditas em línguas africanas – maxime em kikongo. Bastante aplaudido pelo público, Jean Francó foi alternando sons calmos e relaxantes com calientes batucadas acompanhadas de fortes gritos, até ceder lugar para os donos da noite, os Nicholas Payton quartet. A noite foi abruptamente invadida por sons fortes e que falavam fundo à alma. A música do quarteto, habilmente liderado trompete de Nicholas, levou o público a um tal estado de espiritualidade, que deixava eminente a possibilidade de um dos presentes entrar em transe. Das 9 até bem próximo das 10 e meia da noite, as músicas seguiram-se umas atrás das outras... O trompete, o piano, o contrabaixo e a bateria do quarteto fundiam-se numa harmonia sonora ardentemente vivida pelo público. Nem sempre era possível perceber o título das músicas – dito no rápido inglês americano –, debilidade amplamente compensada pela perfeita comunicação musical estabelecida entre os artistas e o público. A meio do espectáculo, chamou a atenção dos presentes, a interpretação de “Kianda song”, música de Aaron Golberg dedicada à capital angolana, Luanda, também conhecida por “cidade da Kianda”, numa homenagem à figura da mitologia Axiluanda (povos nativos de Luanda) correspondente à figura ocidental da sereia. Golberg é o único integrante do grupo nascido fora de New Orleans. Natural de Huston, é a terceira vez que o artista vem ao país de Ngola Kiluanji. Quando já o quarteto abandonava o palco, o público suplicou para que tocassem mais uma música. O regresso foi explosivo. Os Nicholas Payton quartet voltaram ao palco acompanhados de Jean Francó, que com o seu batuque reforçou a alma da música executada pelo quarteto. Num casamento perfeito entre a tradição e a modernidade, Francó juntou o seu batuque aos instrumentos do grupo, levando o público ao delírio. Terminava, assim, o “Jazz quente na noite”. Esse estilo de música, que nos anos vinte constituiu a maior manifestação cultural da jovem nação americana, brotou do suor sofrido daqueles cujo sacrifício determinou grandemente a sua formação, os escravos. Cantar e dançar era a forma deles manterem viva a alma, mesmo quando as condições existenciais eram das mais difíceis que se possa imaginar. Assim nasceu o que hoje chamamos Jazz. Embora seja uma criação do povo negro, o Jazz é para todos os povos e raças. Também considerada a mãe de todas as músicas modernas, é apreciada e tocada por gente de todo o globo. Com Aaron Golberg, o pianista do quarteto, que é caucasiano, uma verdade voltou a ser demonstrada: a musical Jazz não é uma exclusividade de algum povo ou raça. É uma característica de qualquer ser humano que tenha suficiente sensibilidade musical António Kassoma “Nguvulu Makatuka” (*) Publicado no Jornal de Angola aos 25 de Novembro de 2003. June 02 ONDE A FÉ E O FEITIÇO SE CONFUNDEMNOSSA SENHORA DA MUXIMA Construída há quase quatro séculos, o templo situado na província do Bengo continua a atrair milhares de peregrinos todos os anosA capela da Nossa Senhora da Muxima é dos lugares de Angola em que fica bem evidenciado o lado espiritual de África de dos africanos. Conta a lenda popular que ela surgiu repentinamente, por obra de um milagre de Santa Maria, que terá tido duas aparições no local na primeira metade do século VXII. Desde então o local tem sido um dos pontos preferenciais de muitos crentes, a maioria dos quais católicos.Relata o padre local, o mexicano Mário Torrez, que o povo acredita não só no poder contido na capela, mas em toda a área circundante. Muxima (coração em Kimbundu) é uma zona de forte tradição de magia e bruxaria, pelo que o “surgimento milagroso da capela” terá sido uma demonstração de poder de Maria sobre as outras "poderosas senhoras" da área. Pouco clara é igualmente a versão oficiais sobre a potencia colonial que edificou a capela e o forte situado naquela localidade do município da Kissama, província do Bengo. Determinados estudiosos atribuem a edificação da capela e do forte aos holandeses – na época em que ocuparam parte do território que hoje constitui Angola -, enquanto a grande maioria destes acredita ter sido uma obra dos colonos portugueses. A segunda tese é sustentada pelo facto de a Holanda não ter tradição católica, e por terem dominado a zona por pouco tempo (cerca de 5 anos) os territórios de Ngola. Acresce-se ainda o facto de o forte, localizado no morro ao lado da igreja, apresentar um estilo típico português. É igualmente curioso o facto de a potência dominadora (tenha sido Portugal ou a Holanda) ter resolvido edificar um templo num local de tão difícil a cesso, e a vários quilómetros da costa, numa altura em que a ocupação da colónia restringia-se à orla marítima. Este facto alimenta a suspeita de que o local já fosse considerado sagrado pelos autóctone, muito antes da edificação do templo dedicado à Nossa Senhora da Muxima. Assim, os colonizadores terão edificado o templo católico sobre o local sagrado dos povos locais, como forma de mostrar o seu poder e submete-los psicologicamente. Com efeito, a dominação dos locais de culto de um povo tem sido uma técnica de submissão colonial usada por várias potências imperialistas ao longo da história da humanidade. No meio de toda essa amálgama de lendas, milagres, mistérios e contradições, desde 1645 – e quiçá muito antes – que Muxima tem chamado a si corações de milhares de pessoas que junto dela falam das sua preocupações, angústias e desejos. Muita gente vai à "Mamã Muxima" na esperança de que esta resolva problemas de saúde que a ciência não tenha eventualmente conseguido debelar, outros vão pedir que os traga dinheiro e os livre da pobreza em que vivem... não raramente, pessoas há que vão à Muxima para entregá-la a vida de alguém. Um desses milhares de peregrinos é Carlos Alberto Gil “Beto”, (em Outubro de 2003) que se deslocou de Portugal à Angola com o exclusivo propósito de efectuar uma peregrinação a pé de até Muxima. Nos dois primeiros dias da sua peregrinação, Beto efectuou uma jornada de 25 quilómetros, no segundo dia andou 40 quilómetros, tendo alcançado Muxima ao meio da manhã do quarto dia da Caminhada. O peregrino andava das seis da manhã até ao anoitecer, e conta ter sido muito bem recebido e acarinhado pelo povo das vilas e aldeias por que passou. O seu sonho é que, tal como ele, muitos outros peregrinos venham a Angola para encher o coração na Muxima, que ele considera o altar de África. Carlos Gil entende que a Muxima seja um local com muita força e poder, para o qual deviam se deslocar não só peregrinos católicos como não católicos, sejam eles angolanos ou estrangeiro; almeja que “Muxima entre para a rota internacional dos peregrinos”. Beto, que nasceu em Angola, confessou-se maravilhado com a beleza da paisagem circundante à área e declarou ter alcançado o bem espiritual que almejava com a peregrinação à Muxima. No local, foi possível testemunhar o mistérios que envolve aquele lugar. A religião e a tradição fundem-se de modo quase imperceptível. Muitos crentes, maioritariamente do sexo feminino, encontravam-se prostrados no templo e no forte, conversando com a Mamã Muxima ou sussurrando baixinho os seus pedidos. Há ainda quem estivesse a cobrar em voz alta a realização do seu desejo ou que optasse por escrever as suas pretensões e colocá-las sob uma vela acesa. Enfim, um local que desperta em nós as mais estranhas emoções e sensações... António Kassoma "Nguvulu Makatuka" Texto publicado no Jornal de Angola aos 15/10/2003
May 31 JOHN LENNON - PARA LER E PENSAR
"Ontem eu era tecelão de sonhos/mas agora renasci/eu era o leão marinho, mas agora sou Jonh/e assim, caros amigos, vocês terão que ir levando/o sonho acabou." "Eu acredito que a figura do pai e do
líder são os grandes equívocos de todas as gerações antes da nossa. E que todos
nós contamos com Nixon ou Jesus ou quem quer que seja; é uma falta de
responsabilidade a gente esperar que alguém faça as coisas por nós. Assim, ele
nos ajuda ou nós o matamos ou votamos para que saia. Acho que este é o
equívoco, ter figuras paternas. É um sinal de fraqueza, cada um tem de sujar as
próprias mãos." April 12 Filosofia e identidade entre os BANTUUM POVO GUIADO PELA SOLIDARIEDADE E PELO ACOLHIMENTO Companheiros, Gostaria
de fazer uma pequena partilha, assente na minha crença de que os povos
africanos e a sabedoria ancestral encerram uma natureza profundamente
filosófica. Infelizmente, existe a tendência de assimilar o conceito de
civilização à sua acepção ocidental. Falando da profundidade e do
lastro filosófico dos nossos povos, queria partilhar convosco o facto
de a própria designação dos povos africanos conter notas básicas da sua
cultura, dos valores que defendem, e do seu modo ser e estar. Por
exemplo: UMBUNDU, KIMBUNBU, são expressões de identificação de algumas
das comunidades BANTU presentes em Angola, também usadas para designar
a língua falada por estes segmentos do povo angolano. April 09 CITAÇÕES SOBRE POLÍTICA
O CERNE DA POLIS VISTO DE DIFERENTES PRISMASA política é a arte ou ciência da organização, direcção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa).
NOTA: retirado do site Wikiquote, a coletânea de citações livre March 31 Saiba um pouco mais sobre um dos maiores políticos da actualidadeDiscurso de Barack Obama sobre a questão racial
"Nós, o povo, com o objetivo de formar uma união mais perfeita" Há 221 anos, em uma edificação que continua a existir, do outro lado da rua, um grupo de homens se reuniu e, com essas simples palavras, lançou a improvável experiência da democracia na América. Fazendeiros e estudiosos, estadistas e patriotas que atravessaram um oceano para escapar à perseguição e à tirania por fim concretizaram sua declaração de independência em uma convenção que durou toda a primavera de 1787. O documento que produziram terminou por ser assinado, mas em última análise era uma obra inacabada, porque continha a mácula da escravidão, o pecado original da nação e uma questão que dividiu as colônias e causou impasse na convenção até que os fundadores optaram por permitir que o tráfico de escravos continuasse por pelo menos mais 20 anos, deixando qualquer solução definitiva às futuras gerações. É evidente que a resposta à questão da escravidão já estava contida em nossa constituição -uma constituição que tinha por cerne a igualdade dos cidadãos perante a lei, uma constituição que prometia a seu povo liberdade, e justiça, e uma união que poderia e deveria ser ainda mais aperfeiçoada ao longo do tempo. No entanto, palavras em um pergaminho não seriam suficientes para libertar os escravos de seus grilhões, ou oferecer a homens e mulheres de todas as cores e credos seus plenos direitos e obrigações como cidadãos dos Estados Unidos. Foram necessários norte-americanos de futuras gerações que se dispuseram a fazer sua parte -por meio de protestos e luta, nas ruas e nos tribunais, por meio de uma guerra civil e da desobediência civil, e sempre sob grande risco- a fim de reduzir a distância entre aquilo que nossos ideais prometiam e a realidade de nossa era. Esta foi uma das tarefas a que nos propusemos no início desta campanha --continuar a longa marcha daqueles que vieram antes de nós, uma marcha em direção a um país mais justo, mais igualitário, mais compassivo e mais próspero. Escolhi disputar a presidência neste momento histórico porque acredito profundamente que não possamos resolver os desafios de nossa era a não ser que o façamos juntos -a não ser que aperfeiçoemos nossa união ao compreender que, embora nossas histórias pessoais possam diferir, temos esperanças comuns; que embora nossas aparências não se assemelhem, desejamos todos nos mover na mesma direção --o caminho de um melhor futuro para os nossos filhos e netos. Essa crença deriva de minha fé inabalável na decência e na generosidade do povo dos Estados Unidos. Mas também deriva de minha história pessoal como americano. Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. Fui criado com a ajuda de um avô negro que sobreviveu à Depressão e combateu no exército de Patton durante a Segunda Guerra Mundial, e de uma avó branca que trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros, em Fort Leavenworth, enquanto seu marido servia no exterior. Freqüentei algumas das melhores escolas dos Estados Unidos e vivi em uma das mais pobres nações do mundo. Sou casado com uma negra norte-americana que porta o sangue de escravos e de proprietários de escravos -um legado que transmitimos a nossas duas amadas filhas. Tenho irmãos, irmãs, sobrinhas, sobrinhos, primos e tios de todas as raças e matizes, espalhados por três continentes e, por mais que eu viva, jamais me esquecerei de que em nenhum outro país do planeta minha história seria possível. Trata-se de uma história que não fez de mim o mais convencional dos candidatos. Mas ela tornou parte de minha composição genética a idéia de que este país é mais que a soma de suas partes --a idéia de que, múltiplos, sejamos um só. Ao longo do primeiro ano desta campanha, contrariando todas as previsões em contrário, nós vimos o quanto o povo dos Estados Unidos está faminto por essa mensagem de unidade. A despeito da tentação de ver minha candidatura exclusivamente pela lente da raça, conquistamos vitórias incontestáveis em Estados nos quais a população branca é das maiores no país. Na Carolina do Sul, onde a bandeira confederada continua a ser desfraldada, construímos uma poderosa coalizão entre negros e brancos. Isso não implica dizer que a raça não tenha desempenhado um papel nessa campanha. Em diversos momentos, houve comentaristas que me definiram como negro demais ou negro de menos. Vimos a tensão racial borbulhar à superfície na semana da primária da Carolina do Sul. A imprensa vem vasculhando todas as pesquisas de boca de urna em busca dos mais recentes indícios de polarização racial, não só em termos de negro e branco mas de negro e marrom igualmente. E no entanto foi apenas nas duas últimas semanas que a discussão da raça se tornou assunto especialmente divisivo, nesta campanha. De um lado do espectro, ouvimos implicações de que minha candidatura representa de alguma forma um exercício de ação afirmativa; que ela se baseia apenas no desejo dos liberais deslumbrados de adquirir reconciliação racial a baixo preço; de outro, ouvimos meu antigo pastor, o reverendo Jeremiah Wright, empregando linguagem incendiária a fim de expressar opiniões que não só poderiam alargar a cisão entre as raças como também denigrem a grandeza e a bondade de nossa nação, e que ofendem deliberadamente tanto brancos quanto negros. Já condenei de maneira inequívoca as declarações do reverendo Wright que causaram tamanha controvérsia. Para algumas pessoas, restam questões incômodas. Eu sabia que ele ocasionalmente criticava de maneira feroz a política interna e externa dos Estados Unidos? Evidentemente sim. Eu ouvi declarações que poderiam ser consideradas controversas em ocasiões nas quais compareci à igreja dele? Sim. Discordo fortemente de muitas de suas opiniões políticas? Com certeza --da mesma maneira que, sei, muitos de vocês ouviram opiniões de seus pastores, padres ou rabinos com as quais discordavam fortemente. Mas as declarações que causaram a recente tempestade não foram simplesmente controversas. Não se tratava simplesmente do esforço de um líder religioso para protestar contra o que vê como injustiça. Em lugar disso, elas expressavam uma visão profundamente distorcida do país -uma visão que considera o racismo como endêmico entre os brancos, e que atribui mais importância ao que há de errado com os Estados Unidos do que a tudo aquilo que sabemos há de certo; uma visão de que os conflitos no Oriente Médio dependem integralmente das ações de firmes aliados como Israel, em lugar de emanarem das ideologias perversas e odientas do islamismo radical. Em si, os comentários do reverendo Wright eram não só errados mas divisivos, e divisivos em um momento no qual precisamos de unidade; racialmente distorcidos em um momento no qual precisamos nos unir para enfrentar um conjunto de problemas monumentais -duas guerras, a ameaça terrorista, uma economia em queda, uma saúde em crise crônica, e alterações climáticas potencialmente devastadoras; problemas que não são negros, brancos, latinos ou asiáticos, mas sim problemas que todos nós temos de enfrentar. Dadas minhas origens, minha posição política e os valores e ideais que professo, sem dúvida haverá pessoas para quem minhas declarações de condenação não serão suficientes. Por que eu me teria associado ao reverendo Wright inicialmente, elas podem perguntar. Por que não freqüentar outra igreja? E confesso que, se tudo que eu soubesse sobre o reverendo Wright fossem os trechos de vídeo que parecem ser exibidos em repetição contínua na televisão e no YouTube, ou se a igreja dele realmente pudesse ser descrita pelas caricaturas oferecidas por alguns comentaristas, eu sem dúvida reagiria mais ou menos como eles. Mas a verdade é que isso não é tudo que conheço sobre o homem. O homem que conheci há mais de 20 anos foi um homem que me ajudou a conhecer a fé cristã, um homem que sempre falou de nossa obrigação de amar uns aos outros, de cuidar dos doentes e ajudar os pobres. Ele é um homem que serviu seu país como Fuzileiro Naval; que estudou e lecionou em algumas das melhores universidades e seminários norte-americanos; e que por mais de 30 anos comandou uma igreja que serve à comunidade realizando o trabalho do Senhor em nossa terra -oferecendo guarida aos desabrigados, cuidando dos necessitados, servindo como creche, fornecendo bolsas, atendendo aos detentos, bem como ajudando às vítimas do HIV/Aids. Em meu primeiro livro, "Dreams From My Father", descrevi a experiência do primeiro culto a que assisti naquela igreja: "As pessoas começaram a gritar, a se levantar de suas cadeiras, a aplaudir, a exclamar, como uma poderosa rajada de vento que conduzia a voz do pastor a todos os cantos... E naquela nota una -a esperança!- eu ouvi algo mais; aos pés daquela cruz, em milhares de igrejas por toda a cidade, imaginei as histórias das pessoas negras comuns se misturando à história de Davi e Golias, de Moisés e o Faraó, dos cristãos lançados aos leões, do campo de ossos ressecados de Ezequiel. Aquelas histórias --de sobrevivência, liberdade e esperança- se tornaram nossa história, minha história; o sangue derramado era o nosso sangue, as lágrimas, nossas lágrimas; até que aquela igreja negra, naquele dia ensolarado, se assemelhasse uma vez mais a um recipiente conduzindo a história de um povo a novas gerações e a um mundo mais amplo. Nossos triunfos e sofrimentos se tornaram a um só tempo únicos e universais, negros e mais que negros; ao registrar nossa jornada, as histórias e as canções nos ofereciam maneiras de retomar memórias sobre as quais não precisávamos nos envergonhar... memórias que todas as pessoas podiam estudar e acalentar --e com as quais poderíamos começar a reconstruir". Foi essa a minha experiência na igreja. Como outras igrejas predominantemente negras em todo o país, a Trinity incorpora a comunidade negra em sua totalidade --o médico e mãe solteira, o estudante modelo e o antigo membro de gangue. Como outras igrejas negras, os cultos da Trinity estão repletos de riso ruidoso e ocasionalmente de humor ousado. Eles oferecem dança, palmas, exclamações, gritos que podem parecer chocantes, a quem não conheça. A igreja oferece em forma plena a gentileza e a crueldade, a feroz inteligência e a ignorância chocante, os percalços e os sucessos, o amor e, sim, a amargura e a parcialidade que compõem a experiência negra nos Estados Unidos. E isso talvez ajude a explicar meu relacionamento com o reverendo Wright. Por mais imperfeito que ele seja como pessoa, para mim sempre foi parte da família. Ele reforçou minha fé, celebrou meu casamento e batizou minhas filhas. Em nenhuma das conversações que mantive com ele o ouvi se pronunciar sobre qualquer grupo étnico de maneira derrogatória, ou tratar os brancos com os quais interagia de qualquer outro modo do que com respeito e cortesia. O reverendo abriga muitas das contradições --o bem e o mal-- da comunidade à qual serviu de maneira tão diligente por tantos anos. Não posso renegá-lo porque não posso renegar a comunidade negra. Não posso renegá-lo pelo mesmo motivo pelo qual não posso renegar minha avó branca --uma mulher que ajudou a me criar, uma mulher que se sacrificou por mim inúmeras vezes, uma mulher que me ama mais que a tudo no mundo mas que, em certa ocasião, me confessou ter medo dos homens negros que cruzam seu caminho nas ruas, e que em mais de uma ocasião pronunciou estereótipos raciais ou étnicos que me fizeram estremecer. Essas pessoas são parte de mim. E são parte do Estados Unidos, o país que eu amo. Há quem veja minhas declarações como tentativa de justificar ou desculpar comentários que são simplesmente indesculpáveis. Posso lhes garantir que não é esse o caso. Suponho que a coisa segura a fazer, em termos políticos, seria deixar para trás esse episódio e simplesmente esperar que desapareça. Podemos descartar o reverendo Wright como demagogo ou esquisitão, da mesma maneira que descartamos Geraldine Ferraro depois de recentes declarações que revelaram profunda parcialidade racial. Mas a questão da raça não pode ser ignorada por este país no momento que vivemos, em minha opinião. Estaríamos cometendo o mesmo erro que o reverendo Wright cometeu em seus sermões ofensivos sobre os Estados Unidos --simplificar, estereotipar e amplificar o negativo até o ponto em que isso distorça a realidade. O fato é que os comentários que foram feitos e as questões que emergiram nas últimas semanas refletem a complexidade da situação racial neste país, que nós jamais deslindamos --uma parte de nossa união que nos cabe ainda aperfeiçoar. E caso deixemos a questão sem solução agora, se recuarmos aos nossos cantos, jamais poderemos nos unir e resolver desafios como a saúde, ou a educação, ou a necessidade de encontrar bons empregos para todos os norte-americanos. Compreender essa realidade requer que recordemos como chegamos a esse ponto. Como William Faulkner escreveu, 'o passado não está morto e enterrado; na verdade, ele nem mesmo é passado'. Não precisamos recitar aqui uma história da injustiça racial neste país. Mas precisamos recordar que muitas das disparidades que existem hoje na comunidade negra remontam diretamente às desigualdades que gerações anteriores sofreram sob o legado brutal da escravatura e das leis de segregação racial. Escolas segregadas eram, e continuam sendo, escolas inferiores; o problema ainda não foi resolvido, 50 anos depois da decisão do processo Brown vs. Conselho da Educação [que proibiu a discriminação racial nas escolas norte-americanas, em 1954]. A educação inferior que elas ofereciam, então como agora, ajuda a explicar o onipresente diferencial de realizações entre os estudantes brancos e negros. A discriminação legalizada --sob a qual os negros eram impedidos, muitas vezes pela violência- de adquirir propriedades, ou sob a qual empresários negros não conseguiam empréstimos, ou proprietários negros de imóveis não obtinham financiamento da Autoridade Federal da Habitação, ou trabalhadores negros eram excluídos dos sindicatos, ou dos departamentos de polícia e bombeiros --tudo isso significou que muitas famílias negras tenham sido impedidas de acumular patrimônio que pudessem legar às futuras gerações. A História nos ajuda a entender a disparidade de riqueza e renda entre brancos e negros, e os bolsões de pobreza que persistem em tantas comunidades urbanas e rurais. A falta de oportunidades econômicas para os homens negros, e a vergonha e frustração que surgiam diante da incapacidade de sustentar uma família, contribuíram para a erosão das famílias negras --um problema que as políticas de assistência social adotadas por muitos anos ajudaram a agravar. E a falta de serviços básicos em muitos bairros urbanos negros --parques nos quais as crianças possam brincar, patrulhamento pela polícia, coleta regular de lixo, aplicação dos códigos de edificações e zoneamento-- ajudou a criar um ciclo de violência, ruína e negligência que continuam a nos ferir. Esta é a realidade na qual o reverendo Wright e outros negros da geração dele cresceram. Eles chegaram à maioridade no final dos anos 50 e começo dos 60, um momento em que as leis de segregação continuavam em vigor no país e em que oportunidades lhes eram negadas sistematicamente. O que é notável não é que muitos deles tenham fracassado diante da discriminação, mas sim que tantos homens e mulheres tenham superado as probabilidades adversas; que tantos deles tenham conseguido encontrar caminhos que os tirassem do beco sem saída e abrissem novas possibilidades para pessoas como eu, que vieram depois deles. Mas ainda que muitos tenham batalhado e conseguido conquistar sua versão do sonho americano, inúmeros outros não encontraram sucesso -as pessoas que, de uma maneira ou de outra, terminaram derrotadas pela discriminação. Esse legado de derrota foi transmitido a futuras gerações -os jovens, tanto homens quanto cada vez mais mulheres, que vemos parados nas esquinas ou trancafiados nas prisões, sem esperança ou perspectiva de futuro. Mesmo entre os negros que conquistaram o sucesso, questões de raça e racismo continuam a influenciar fundamentalmente sua visão de mundo. Para os homens e mulheres da geração do reverendo Wright, as memórias da humilhação, dúvida e medo não se foram, e o mesmo pode ser dito sobre a raiva e a amargura daqueles anos. Essa raiva talvez não seja expressa em público, diante dos colegas de trabalho ou amigos brancos. Mas encontra expressão nas conversas de barbearia, ou em torno da mesa de jantar. Ocasionalmente, essa raiva é explorada pelos políticos, que tentam obter votos locais manipulando a questão racial, ou como forma de compensar os defeitos desses líderes. E ocasionalmente ela encontra expressão na igreja em uma manhã de domingo. O fato de que tanta gente tenha ficado surpresa diante da raiva na voz do reverendo Wright em seus sermões só serve para nos lembrar do velho dito de que o momento mais segregado da vida nacional são as manhãs de domingo. Essa raiva nem sempre é produtiva; de fato, ela muitas vezes distrai a atenção que deveria ser dedicada à solução de problemas reais; impede-nos de considerar de maneira franca nossa cumplicidade quanto à condição em vivemos; e impede que a comunidade negra forme as alianças de que necessita para promover mudanças reais. Mas a raiva é real; é poderosa; e simplesmente desejar que ela não exista, condená-la sem compreender suas raízes, só servirá para alargar o fosso de incompreensão que existe entre as raças. Na verdade, raiva semelhante existe em certos segmentos da comunidade branca. A maior parte dos norte-americanos brancos de classe baixa e média não sentem que sua raça lhes tenha valido privilégios especiais. A experiência deles é a experiência do imigrante --no que tange a eles, tudo que obtiveram foi construído pelo esforço próprio; nada lhes foi dado. Eles trabalharam com afinco a vida toda, e muitas vezes seus empregos terminaram exportados, ou suas pensões foram liquidadas em escândalos financeiros depois de uma vida inteira de trabalho duro. Eles sentem ansiedade quanto ao seu futuro, e sentem que seus sonhos estão passando sem realização; em uma era de salários estagnados e competição global, a oportunidade que surge em outras terras representa falta de oportunidade aqui -a realização de outros sonhos ocorre à custa dos deles. Assim, quando eles são instruídos a enviar seus filhos a uma escola localizada do lado oposto da cidade por motivo de integração racial; quando descobrem que um colega de trabalho negro leva vantagem na seleção para um bom posto ou um estudante negro tem preferência para uma vaga universitária devido a injustiças que não foram cometidas por eles; quando são informados de que medo do crime urbano representa uma forma de preconceito racial, eles acumulam ressentimentos. Como a raiva na comunidade negra, esses ressentimentos nem sempre são expressos em momentos de convivência. Mas eles ajudaram a dar forma à paisagem política do país, ao longo da última geração. A raiva quanto à assistência social e a ação afirmativa ajudou a criar a chamada coalizão Reagan. Os políticos rotineiramente exploram o medo do crime para fins eleitorais. Os apresentadores de programas de entrevistas e os colunistas conservadores construíram carreiras demolindo falsas alegações de racismo, mas também descartando discussões legítimas de injustiça e desigualdade racial, classificando-as como reles correção política ou exemplos de racismo reverso. Da mesma maneira que a raiva negra muitas vezes se provou contraproducente, esses ressentimentos brancos distraíram a atenção quanto aos verdadeiros responsáveis pela compressão que a classe média vem sofrendo: um governo e sistema político dominados por lobbies e interesses especiais; políticas econômicas criadas para favorecer alguns poucos em detrimento de muitos. E, no entanto, ignorar os ressentimentos dos norte-americanos brancos, ou classificá-los como equivocados ou racistas, também serve para ampliar a divisão entre as raças, e para bloquear o caminho do entendimento. É este o ponto em que estamos agora. Trata-se de um impasse racial no qual vivemos há anos. Ao contrário das alegações de alguns de meus críticos, brancos e negros, jamais fui ingênuo a ponto de acreditar que podemos superar nossas divisões raciais em um único ciclo eleitoral, ou por meio de uma única candidatura --especialmente uma candidatura tão imperfeita quanto a minha. Mas asseverei minha forme convicção --enraizada em minha fé em Deus e no povo dos Estados Unidos-- de que trabalhando juntos seremos capazes de curar algumas de nossas velhas feridas raciais, e que de fato não nos resta escolha se desejamos continuar no caminho de uma união mais perfeita. Para a comunidade negra, esse caminho significa aceitar os fardos do passado sem que nos tornemos vítimas dele. Significa continuar a insistir em plena justiça quanto a todos os aspectos da vida norte-americana. Mas também significa combinar nossas queixas específicas --a busca de melhor saúde, melhor educação, melhores empregos-- às aspirações mais amplas de todos os norte-americanos -a mulher branca que luta para superar as restrições ao avanço profissional feminino, o homem branco que perdeu o emprego, o imigrante que tenta alimentar sua família. E isso significa aceitar plena responsabilidade por nossas vidas --exigindo mais de nossos pais, e passando mais tempo com nossos filhos, lendo para eles, ensinando-os que, embora possam enfrentar desafios e discriminação em suas vidas, jamais devem sucumbir ao desespero ou ao cinismo; devem sempre acreditar em que lhes será possível escrever seu destino. Ironicamente, esse conceito fundamentalmente americano --e, sim, conservador--, o de 'ajuda a ti mesmo', encontrava expressão freqüente nos sermões do reverendo Wright. Mas o que meu antigo pastor muitas vezes não conseguia compreender era que iniciar um programa de auto-ajuda requer, igualmente, a crença em que a sociedade seja capaz de mudar. O erro profundo dos sermões do reverendo Wright não é que ele tenha falado do racismo em nossa sociedade, mas sim que o tenha feito como se nossa sociedade fosse estática, como se progresso algum tivesse sido realizado, como se este país --um país que permitiu a um membro da congregação dele disputar o mais alto dos cargos e criar uma coalizão de negros e brancos, latinos e asiáticos, ricos e pobres, jovens e velhos-- esteja ainda acorrentado a um passado trágico. Mas aquilo que sabemos --aquilo que testemunhamos- é que os Estados Unidos podem mudar. É esse o verdadeiro gênio de nosso país. O que conseguimos realizar nos dá esperança --a audácia da esperança-- quanto ao que poderemos e devemos realizar amanhã. Na comunidade branca, o caminho para uma união mais perfeita significa reconhecer que os problemas da comunidade negra não existem apenas na cabeça dos negros; que o legado da discriminação --e incidentes atuais de discriminação, embora menos escancarados do que no passado-- existe e precisa ser corrigido. E não apenas com palavras, mas por meio de fatos --investimento em nossas escolas e comunidades, defesa dos direitos civis e de julgamento justo nos tribunais criminais, criação de escadas de oportunidade que permitam à atual geração uma ascensão impossível para gerações passadas. Isso requer que todos os norte-americanos compreendam que seus sonhos não precisam ser realizados à custa de sonhos alheios; que investir na saúde, bem-estar e educação de crianças brancas, negras e marrons em última análise ajudará o país como um todo a prosperar. Aquilo de que precisamos, portanto, é nada mais, e nada menos, do que aquilo que todas as grandes religiões do mundo pedem: que façamos aos outros aquilo que gostaríamos nos fosse feito. A Bíblia pede que protejamos os nossos irmãos e irmãs. Devemos encontrar, nos outros, o interesse que nos une, e nossas políticas deveriam refletir esse fato. Pois temos uma escolha a fazer, em nosso país. Podemos aceitar uma política que fomente a divisão, o conflito e o cinismo. Podemos tratar da questão racial apenas como espetáculo --como o fizemos no julgamento de OJ--, ou apenas em momentos de tragédia, como o fizemos depois do Katrina, como munição para as notícias noturnas. Podemos exibir os vídeos do reverendo Wright em todos os canais, todos os dias, e falar sobre eles daqui até a eleição, e fazer com que a única questão a ser debatida no pleito seja a possibilidade de que eu concorde ou simpatize de alguma maneira com as mais ofensivas de suas palavras. Podemos explorar uma gafe de algum assessor de Hillary, ou podemos especular se todos os homens brancos votarão em McCain, não importa quais sejam suas opiniões políticas. Podemos agir assim. Mas, caso o façamos, posso lhes afirmar que, na próxima eleição, estaremos falando sobre outra distração; e depois outra; e mais outra; e nada jamais mudará. Essa é uma opção. Ou podemos, neste momento, nesta eleição, nos unir e exclamar: 'Desta vez, não!' Desta vez, queremos falar sobre as escolas decadentes que estão roubando o futuro de crianças negras, brancas, asiáticas, hispânicas e indígenas. Desta vez podemos talvez rejeitar o cinismo que nos diz que essas crianças são incapazes de aprender, que essas crianças de aparência diferente das nossas são problema de outra pessoa. As crianças dos Estados Unidos não são 'essas crianças': são as nossas crianças, e não permitiremos que fiquem para trás na economia do século 21. Não desta vez. Desta vez queremos discutir sobre as filas repletas de brancos, negros e hispânicos desprovidos de planos de saúde nos pronto-socorros, pessoas que não têm o poder de superar sozinhas os interesses especiais em Washington mas que poderiam fazê-lo caso nos uníssemos. Desta vez queremos falar sobre as fábricas abandonadas que no passado ofereciam vida decente a homens e mulheres de todas as raças, e sobre as casas à venda que no passado pertenceram a pessoas de todas as religiões, todas as regiões, todas as ocupações. Desta vez queremos falar sobre o fato de que o verdadeiro problema não é que alguém de aparência diferente possa tomar nosso emprego, mas sim que a empresa para a qual alguém trabalha possa decidir despachar esse emprego a outro país em busca de nada mais que lucro. Desta vez queremos falar sobre homens e mulheres de todas as cores e credos que servem unidos e lutam unidos e sangram unidos sob a mesma orgulhosa bandeira. Queremos falar sobre como trazê-los para casa de uma guerra que não deveria ter sido autorizada e jamais deveria ter sido travada, e queremos falar sobre como devemos demonstrar nosso patriotismo cuidando deles e de suas famílias, e lhes propiciando os benefícios que conquistaram. Eu não estaria disputando a presidência caso não acreditasse de coração que é isso que a vasta maioria dos norte-americanos deseja para o país. Nossa união talvez jamais venha a ser perfeita, mas geração após geração demonstraram que ela sempre pode ser melhorada. E hoje, sempre que me vejo cínico ou em dúvida com relação a essa possibilidade, aquilo que me dá mais esperança é a próxima geração --os jovens cujas crenças e atitudes e abertura à mudança já fizeram história nesta eleição. Existe uma história em especial que eu gostaria de deixar com vocês, hoje --uma história que contei quanto tive a grande honra de discursar no aniversário do Dr. (Martin Luther) King em sua igreja, a Ebenezer Baptist, em Atlanta. Há uma jovem voluntária branca, Ashley Baia, 23, que nos ajudou a organizar nossa campanha em Florence, na Carolina do Sul. Ela vem trabalhando para ajudar a organizar uma comunidade formada majoritariamente por negros, desde o começo da campanha, e um dia participou de uma mesa redonda na qual todo mundo contou sua história e explicou os motivos de sua presença. Ashley contou que, quando ela tinha nove anos, sua mãe adoeceu de câncer e, porque teria de perder dias de trabalho, terminou demitida e perdeu seu seguro-saúde. A família teve de pedir falência, e foi então que Ashley decidiu que tinha de fazer alguma coisa para ajudar a mãe. Ela sabia que comida era uma das maiores despesas da casa, e por isso convenceu a mãe de que a comida que ela mais gostava eram sanduíches de pão com mostarda e molho inglês. Porque eles eram a comida mais barata que encontrou. Ela o fez por um ano, até que sua mãe melhorou, e ela contou a todo mundo na mesa redonda que o motivo para que tivesse aderido à nossa campanha foi para que pudesse ajudar os milhões de crianças do país que querem e precisam ajudar os país. Ashley com certeza poderia ter feito escolha diferente. Alguém pode ter dito a ela em algum momento que o motivo dos problemas de sua mãe eram os negros que viviam de assistência social por serem preguiçosos demais para trabalhar, ou os hispânicos que chegam ao país ilegalmente. Mas ela não o fez. Em lugar disso, procurou por aliados em sua luta contra a injustiça. Quando Ashley terminou sua história, ela perguntou aos demais porque eles haviam aderido à campanha. Cada um deles tinha histórias e razões próprias. Muitos mencionaram uma questão específica. E por fim chegou a vez de um velho negro que havia assistido a tudo aquilo em silêncio. Ashley perguntou por que ele estava lá. E ele não mencionou um motivo específico. Não citou a saúde ou a economia, a educação ou a guerra. Não disse que estava lá por causa de Barack Obama. Ele simplesmente disse, a todos os presentes: 'Estou aqui por causa de Ashley'. 'Estou aqui por causa de Ashley'. Em si, aquele momento único de reconhecimento entre uma jovem branca e um velho negro não seria suficiente. Não é suficiente que ofereçamos saúde aos doentes, trabalho aos desempregados ou educação às crianças. Mas é assim que devemos começar. É assim que nossa união se tornará mais forte. E como tantas gerações vieram a perceber ao longo dos 221 anos desde que aquele grupo de patriotas assinou aquele documento em Filadélfia, é assim que começa a perfeição. Tradução de Paulo Migliacci March 24 Notas soltasRegistar os acontecimentos da nossa vida é uma das maneiras mais
eficazes de os tornarmos inesquecíveis. Não é necessário que um dado
facto tenha dado uma volta completa à nossa existência para que o
possamos considerar importante. Aliás, dada a imprevisibilidade da
vida, sou do tipo de pessoa que defende uma filosofia de vida baseada
no aproveitamento intenso de cada um dos segundos da nossa vida - sem
descurar, como não podia deixar de ser, a responsabilidade e
razoabilidades devidas.
Um abraço November 22 APRENDA COM A SABEDORIA DOS NOSSOS ANTEPASSADOSProvérbios Africanos "O
tolo tem sede no meio de água." NOTA: Gentilmente cedidos pela advogada AGBESSI KORA November 05 A RECEITA PARA OS SONHOS ALCANÇADOSUM MEIO OU UMA DESCULPA Roberto Shinyashiki ''Não conheço ninguém que conseguiu realizar seu sonho,sem sacrificar feriados e domingos pelo menos uma centena de vezes. O sucesso é construído à noite. Durante o dia você faz o que todos fazem. Mas, para obter um resultado diferente da maioria, você tem que ser especial. Se fizer igual a todo mundo, obterá os mesmos resultados, não se compare à maioria, pois infelizmente ela não é modelo de sucesso, se você quiser atingir uma meta especial, terá que estudar no horário em que os outros estão tomando chopp com batata frita. Terá de planejar, enquanto os outros permanecem à frente da televisão. Terá de trabalhar enquanto os outros tomam sol à beira da piscina. A realização de um sonho depende de dedicação. Há muita gente que espera que o sonho se realize por mágica, mas toda mágica é ilusão, e a ilusão não tira ninguém de onde está, em verdade a ilusão é combustível dos perdedores pois: - Quem quer fazer alguma coisa, encontra um meio. Quem não quiser fazer nada, encontra uma desculpa'' GOSTARAM? DIVUGUEM................................. November 03 Notas sobre o Ensino Superior em AngolaA melhoria da educação passa pela criação de mais entidades intervenientes?
Parece haver uma certa confusão, causada pelo facto de se verificarem conflitos positivos de competências entre os diferentes órgãos que actuam no sector da educação em Angola, principalmente ao nível do ensino superior. Faculdades, Reitoria, Secretaria de Estado, Ministério... Não estou actualizado quanto às alterações que têm vindo a ser feitas ou sugeridas pelos diferentes intervenientes na determinação do conteúdo, do sentido ou dos métodos que devem nortear a formação no país, mas preocupa-me particularmente uma coisa: há sinais de que a qualidade do ensino continua a baixar. As condições de trabalho oferecidas (inclusive os salários praticados) pelos diferentes estabelecimentos de ensino superior não permitem que as pessoas com vocação para tal (outro aspecto largamente obnubilado) se dediquem exclusivamente à academia, e possam ter alguma qualidade de vida. Em consequência disso, os mais antigos e experientes professores, depois de terem dedicado décadas das suas vidas ao ensino – quase sem qualquer retorno – na prática, estão a sair das lides académicas e concentrar as suas energias e esforços em actividades aceitavelmente rentáveis, com vista à garantia de alguma estabilidade e sustentabilidade, para si e suas famílias. Esse quadro é ainda agravado pelo facto de os sinais dos tempos apontarem para o sentido de os dias que se aproximam virem a ser marcados pelo recrudescimento do liberalismo mercantil, com fortes marcas do monetarismo. Está-se a assistir à agonia (a beira do sacrifício) da vocação social das comunidades organizadas, incluindo a estadual.
Ao mesmo tempo que as universidades perdem os professores mais experientes, mesmo antes desses poderem passar o seu testemunho, (até em Angola não se cultivou o hábito, ou não havia muita possibilidade de os académicos transformarem os seus pontos de vista científicos, objectivamente ajuizáveis por terceiros, em livros – o que poderia promover a passagem de testemunho, mesmo sem um contacto pessoal), os novos docentes são obrigados a suportar pesadas cargas. Este cenário parece sugerir ou permitir-nos presumíveis a deformações no processo de crescimento dos novos valores do mundo escolástico angolano. Grande parte dos novos docentes têm de fazer esforços quase sobre-humanos para que tenham tempo (quando o conseguem) para aprofundar os seus pontos de vista sobre o ramo do saber em que leccionam e adquirir conhecimentos novos, eventualmente com base nos ensinamentos dos seus predecessores. Quase no mesmo momento em que abraçam a docência, já lhes é exigido um grau de desempenho e lhes é imposto um nível de responsabilidade que, em condições normais, apenas poderiam estar em condições de encarar, passados cerca de quatro anos. No meio de tudo isso, há centenas de quadros a serem perdidos pela academia, em benefício de outros ramos de actividade e aplicação do segmento do saber humano em que estes se tenham formado e... o ensino superior parece encaminhar-se rapidamente para a fragilização e o domínio do formal sobre o material e efectivo.
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